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  • domingo, 19 de abril de 2020

    Violência física e sexual contra mulheres aumenta durante isolamento social

    Organização das Nações Unidas e Organização Mundial de Saúde pedem que governos tratem o tema como prioridade durante a pandemia.
    Uma em cada três mulheres em todo o mundo já sofreu violência física e/ou sexual, mas "é provável que esta crise piore como resultado da pandemia" do novo coronavírus (Sars-CoV-2), aponta o relatório "A sombra da pandemia: violência contra mulheres e meninas e Covid-19".

    O documento foi divulgado em abril pela ONU Mulheres, entidade da Organização das Nações Unidas para igualdade de gênero e empoderamento.

    O secretário-geral da ONU, Antonio Gutierrez, disse em um comunicado no começo do mês que "nas últimas semanas, à medida que as pressões econômicas e sociais e o medo aumentaram, vimos uma onda global horrível de violência doméstica". "Em alguns países, o número de mulheres que telefonam para serviços de apoio dobrou."

    O Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos informou que a quarentena gerou um aumento de quase 9% no número de ligações para o canal Ligue 180, que recebe denúncias de violência contra a mulher: entre os dias 1° e 16 de março, foram 3.045 ligações e 829 denúncias; já entre os dias 17 e 25 de março, esses números saltaram para 3.303 e 978, respectivamente.

    Diante do aumento, a pasta lançou no dia 2 de abril o aplicativo Direitos Humanos Brasil, em que as vítimas de vários tipos de violações de direitos humanos, incluindo a violência doméstica, poderão entrar em contato com autoridades durante o isolamento e pedir socorro.

    Ao registrar o boletim de ocorrência na delegacia eletrônica, a vítima deve informar a melhor maneira de a polícia entrar em contato sem que o agressor fique sabendo, já que ele passa 24 horas por dia em casa.Por exemplo, ela pode escrever que prefere que a polícia ligue para a casa da mãe dela, ou que entre em contato por meio de aplicativo de mensagem ou e-mail.

    Veja, abaixo, dados da ONU Mulheres e da OMS sobre o aumento da violência doméstica nos países afetados pela pandemia de coronavírus:

    Na França, o registros de casos de violência doméstica aumentou em 30% desde 17 de março, quando o país decretou a quarentena – em Paris, o aumento foi de 36%.

    Na China, as denúncias de violência contra a mulher triplicou durante o período de confinamento, entre janeiro e começo de abril.

    Na Argentina, houve aumento de 25% nas denúncias telefônicas desde 20 de março, quando o país adotou medidas de isolamento.

    Em Singapura, o aumento nos registros de denúncias foi de 30% em março.

    Na Malásia e no Líbano, as denúncias de violência contra a mulher duplicaram durante o período de confinamento.

    No Canadá, França, Alemanha, Espanha, Reino Unido e Estados Unidos, autoridades governamentais relatam crescentes denúncias de violência doméstica e aumento da demanda para abrigo às vítimas.

    Na contramão do aumento da violência doméstica no mundo, a Itália observou uma diminuição nas ligações de denúncia durante o confinamento: nos primeiros 15 dias de março, o serviço de proteção do país recebeu 652 ligações – no mesmo período em 2019, foram 1.104 ligações, de acordo com a agência de notícias Reuters.

    Ainda segundo a Reuters, um relatório do comitê parlamentar italiano sobre violência contra a mulher citava que a diminuição era um sinal de que "as vítimas de violência corriam o risco de ficar ainda mais expostas ao controle [imposto pela quarentena] e à agressão cometida pelo parceiro".

    Isso, porque ficam impedidas de sair de casa para ir à delegacia, por exemplo, ou não conseguem usar o celular para pedir socorro.

    Tanto a ONU Mulheres quanto a OMS e organizações feministas defendem que, durante a pandemia, a solução não é pôr fim ao isolamento social, mas, sim, manter ativos os serviços de proteção à mulher, aumentar o investimento em serviços on-line, declarar abrigos como serviços essenciais e oferecer suporte às ONGs locais de combate à violência doméstica.

    Para a ONU Mulheres, é essencial que governos ofereçam apoio financeiro às mulheres, já que o impacto econômico da pandemia pode criar barreiras adicionais para uma vítima deixar um parceiro violento.


    Informações G1

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